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22.9.08

Quero... mas tenho medo! (Autora: V.)

Histórias, todo mundo tem aos montes... ainda mais nesse meio, onde nem todas são resolvidas ou vêem as relações entre pessoas do mesmo sexo como uma outra relação qualquer. Confesso que eu tb nem sou tão resolvida assim. Sou bi, mas minhas relações com mulheres ainda ficam num plano meio underground. Verdade seja dita, a sociedade não tá pronta pra isso ainda, por mais liberal que possa parecer.
Há algum tempo, fui apresentada a uma mulher. Foi uma coisa meio armada (no melhor estilo 5ª série... rs), mas ficamos a primeira vez por influências externas. E foi bom! Os beijos se encaixaram, foi uma delícia. Continuamos ficando por algum tempo e à medida que as coisas iam fluindo, aconteceram 2 coisas distintas com nós duas.
Eu me envolvi, me apaixonei, a ponto de fazer qualquer coisa por ela... mandei flores, coloquei todo meu repertório romântico e respeitador em jogo. Afinal, eu já tinha namorado uma garota durante 2 anos, e ela nunca havia tido uma relação mais profunda com alguma mulher. Ficava por ficar, por curtição... Enfim, eu me apaixonei, me abri e me entreguei. Queria namorar, cuidar, andar de mãos dadas, apresentar pra família e todo o pacote que vem junto com uma relação séria.
Ela, ao contrário, ficou assustada. Confessou pra mim que eu mexia com ela de uma forma diferente, que ela gostava muito de mim, que eu era diferente das outras a quem ela beijou, que era especial e tal... disse incluvise que já havia pensado várias vezes em se entregar tb e namorar comigo. Mas ela tinha medo. Disse que não conseguia se permitir isso, que tinha medo da reação da família.
Destroçou meu coração em pedaços, embora dissesse que nunca queria ter feito isso, que nunca quis me magoar. Numa conversa das mais doloridas (no dia dos namorados, quanta ironia), ela me assegurou que não mais queria se envolver com mulheres. Disse que gostava era de homens e que assim seria. Não pude fazer nada além de respeitar a decisão dela...
Algum tempo depois, quando eu já tava ficando com um cara (mas ficando à toa, pq eu não tinha tirado ela da cabeça ainda), soube por terceiros que ela estava ficando com uma outra garota. A maior louca periguete! Juro, meu sangue ferveu... experimentei um misto de raiva, ressentimento, tristeza, frustração... nem sei o que era.
Aquela mesma mulher que me disse que tinha medo, que não queria mais ficar com mulher nenhuma, que não queria me magoar e blá blá blá estava lá, de mãos dadas com a guria, beijando a boca dela na minha frente!
Se isso não é contradizer o próprio discurso (inclusive no que diz respeito a não querer me magoar) eu não sei mais o que é. Na hora só consegui mostrar tristeza e frustração, uma punhalada! Mas o ódio me devorava por dentro... não sabia o que fazer. Só me afastei dela, do convívio, das conversas diárias, dos e-mails e telefones...
Posso dizer que superei isso muito bem. Hoje em dia até continuamos a ter contato, ela me procura com mais freqüência do que eu a ela, mas vamos combinar uma coisa? Ninguém merece uma pessoa confusa dessas! E vou falar... é só desse tipo que aparece na minha vida... Acho que é meu carma, me envolver com mulheres que não sabem o que querem da vida (mas que não conseguem viver longe de mim e acabam virando 'amigas'... rs).
Mas não a condeno por essas confusões que habitam sua cabeça. Se fosse algo fácil de enfrentar, a gente não tava aí há tantos anos diante desse tabú. Tabú este que gera esse tipo de relação, onde uma quer ser amiga pra ter a outra sempre junto; e a outra se conforma com essa 'amizade' pra ter do lado a mulher que deseja.

Desejo (Autora: Dhi SP)

Eu te vejo e tudo para em minha volta
Fingir que sou comum, mais uma apenas
não dá
Quando você ,inocentemente, deixa suas curvas
à mostra eu quase enloqueço imaginando o que
provavelmente nunca acontecerá...

Ouço teus segredos,teus lamentos, teu choro
E te aconselho dizendo que um dia o que é nosso
chega pensando se tu notaste o modo como te olho
no fundo dos olhos
Me agonia a impossibilidade de dizer a verdade
E me parece injusto fingir uma coisa que não sinto

Mas a verdade traria consigo o fim
E entre o fim e a mentira fico com a mentira
Pois assim ainda posso te ver, sem nenhuma intenção
se não apenas te ver
Pra não te perder eu me escondo, finjo, minto,
Digo que um dia tu acharás alguém que te mereça
E só o que eu desejo em silêncio é que esse alguém
seja eu...

17.9.08

Há poesia (Autora: Luciane de Novaes - http://floresemvcs.blogspot.com)


Lágrimas solitárias

Lágrimas solidárias
Lágrimas confidentes e bandidas

Das cercanias “hemofóbicas”
Tão estranhas e falantes
Tão culpadas e atrizes

Como sérias meretrizes do além-bar
Saídas daquele mar dos sonhos
Expulsas por cantar sem medos
O amor ébrio de suas almas perdidas

A luz do dia censurava seus passos
Nas madrugadas intensas eram tão felizes
Dos boêmios e felinos guardavam a fiel companhia indulgente
Esses, os poucos e bons que lhes tratavam comumente

- Se o amor que a gente sente não pode sentar no banco da praça,
Nem por isso desisto querida.
Nada nos tira a graça!
Repousa teu olhar em meu travesseiro
Que te faço dormir em meu seio
Que te faço sorrir sem receio

O amanhã vem para todos, mesmo nublado de preguiça
Dorme e sonha com o futuro
Há poesia em tudo, amor
Há poesia...

Imponderáveis.. (Autora: V.)

Era um domingo. Almoço de aniversário. Em meio a conversas casuais, ela entrou no salão. Era uma das convidadas. A visão mais linda do dia. Olhos verdes, cabelos longos e negros presos num rabo de cavalo, um corpo escultural, um sorriso de fazer tremer... Tive que me recompor e disfarçar meu rubor ao ser apresentada a ela.

Almoçamos juntas, conversamos, rimos muito... e em uma tarde eu descobri que ela era a pessoa mais interessante que eu havia conhecido nos últimos 10 anos. Fiquei encantada com ela... e Deus, como era linda! Nessa ocasião soube que ela estaria presente num casamento que eu iria 2 meses mais tarde.

2 meses depois, lá estava eu em Natal. O casamento seria na praia, novidade pra mim. E lá estava ela tb... mais linda ainda (como é possível?). Cabelos soltos, vestido ondulado pela brisa do fim da tarde, pés na areia (gente, até os pés dela são lindos!). Tá certo que ela estava conversando com outras pessoas, mas eu só enxergava ela, a praia e o céu... Renoir teria inveja desse cenário.

Ela me viu, veio falar comigo, me abraçou, perguntou quanto tempo eu ficaria em Natal. "Infelizmente só uma semana, vim só mesmo pro casamento". Trocamos algumas palavras em várias oportunidades, trocamos sorrisos, dançamos... mas nada além. Nada que seja recíproco, já que o interesse parece vir mesmo só da minha parte. E continuo acreditando nisso, mesmo tendo surpreendido por 2 ou 3 vezes ela desviando o olhar quando meus olhos encontravam com os dela.

Voltei pra Brasília e não conseguia tirar da cabeça a figura linda daquela mulher-deusa-na-Terra. Vi fotos do casamento, me prendia longos segundo na figura dela. Nessa hora soube das pretensões alheias de apresentá-la ao meu irmão. Pq ela está solteira, ele tb, os pais dela moram em Brasília e ela está sempre por aqui, ela é um doce de pessoa, blá blá blá... "Quê?! Sai pra lá que eu vi primeiro!!", pensei. Mas tive que me segurar e fingir que tava tudo bem, que eu dava o maior apoio. Ninguém sabe o tanto que essa mulher me encantou, o tanto que eu fiquei balançada, o tanto que a simples visão daquele corpo, daqueles olhos e daquela boca habitam meus pensamentos... segredo de Estado! Não quero chocar ninguém (nem a ela!) com esse desejo platônico...

Mas confesso que a simples imagem desse provável futuro é apavorante! Já pensou? Ia dar até nome de filme ou de alguma auto-biografia barata:

"Eu, V., apaixonada pela futura pretendente do meu irmão".