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2.10.08

Colocando as sapatilhas pra fora do armário, ou não (Autora: Débora)

Gostaria de compartilhar o que aconteceu comigo no início dessa semana aqui em casa. Pra começar, eu sou uma dyke prestes a completar 20 aninhos, assumida apenas para amigos, e ainda não me revelei diretamente para a minha família católica, conservadora e homofóbica. Bom, há pouco tempo eu apresentei à minha mãe uma amiga minha (que apesar de ser lésbica e solteira que nem eu, é apenas minha amiga). E já é de praxe a minha mãe implicar com minhas amigas — quando elas vão embora daqui de casa, começa o interrogatório. E dentro desse interrogatório sempre vem a pergunta "Ela é lésbica?". Pois bem, foi o que aconteceu. Como minha mãe é muito homofóbica e eu não queria correr o risco de ela querer me afastar dessa amiga, eu disse que não. Logo em seguida, ela dirigiu a mesma pergunta a mim: "E você, é lésbica?". Botei um sorriso bobo no rosto e pensei durante uma fração de segundo em milhões de coisas pra dizer a ela. Senti aquela descarga de adrenalina bem básica sacodindo o meu corpo todo — era a primeira vez na vida que a minha mãe tinha me feito aquela pergunta. No fim das contas, eu não disse nada. Apenas sorri, como eu sempre faço durante os momentos de tensão em que eu simplesmente não sei o que fazer. E certamente ela sabe que eu sou lésbica ou, no mínimo, suspeita, afinal de contas, eu tenho muito mais amizades com mulheres do que com homens e nunca apareci aqui em casa com nenhum namoradinho ou qualquer coisa que o valha.

Acho que essa foi mais uma demonstração de que, às vezes, no grande teatro da vida, nem tudo acontece tal e qual manda o script. O meu plano era sair do armário apenas quando eu já estivesse com a minha independência financeira, morando na minha própria residência e, claro, tendo uma relação estável com uma mulher. No entanto, eu não tenho nenhuma dessas três condições básicas. Por pouco eu desviei a rota do caminho que eu estava tentando traçar para a minha vida.

Depois desse epsódio, eu considerei a possibilidade de deixar tudo como está, subentendido, sem ter que dizer nada de forma direta, e só me pronunciar mais efusivamente sobre a minha sexualidade no momento em que eu tivesse a minha própria vida. Mas aí também vem outra questão: e se meus familiares ficarem sabendo sobre mim por terceiros? E se alguém chegar e disser para a minha mãe "olha, eu vi tua filha beijando outra menina em tal lugar..."? Não seria nem um pouco agradável ser surpreendida por esse tipo de situação.

Hoje eu estou sem saber direito o que fazer... dá vontade de ser que nem avestruz, enterrar a cabeça na areia e fingir não me importar com isso, mas esse assunto é algo que me sufoca e tira o meu ânimo... enfim, vim aqui só pra desabafar mesmo. Caso alguém queira me dar alguma dica, eu agradeço desde já.

Beijos e obrigada pela atenção!

17.9.08

Saindo do armário (Autora: Dhi SP)


Bom vou usar meu apelido real mesmo, Dhi é como todo mundo me chama!tenho 18 anos completos á pouco e enfim descobri que sou bissexual, pra mim é tudo muito novo e até meio assustador pq sempre desconfiei mas nunca tive certeza de nada...
Isso não é a parte mais difícil quando se descobre que gosta de pessoas do mesmo sexo pq é incrível pra mim (mulheres são tão especiais!!), mas a pior coisa é descobrir que é gay se apaixonando por uma pessoa incrível mas que não ta nem aí pra você, no meu caso pela colega do 3º ano meio "butch" que é famosa por ter opinião própria e ser decidida(aquele tipo "Shane" The L Word!), mas enfim eu pensava que um coração partido era coisa de gente fraca que se deixa levar pelos sentimentos mas fui pega totalmente desprevenida e meus conceitos sobre paixão foram pelo ralo...A menina me encanto totalmente e pior me deu trela no início , mas acabo se afastando e sendo até grossa comigo várias vezes na escola.
Mas pelo menos pude sair do armário pra minha mãe que me deu todo apoio do mundo(te amo mãe!!), mas para as minhas amigas (todas héteros claro!!) isso ainda é segredo e nem imagino como contar sobre porque uma delas ,que por sinal é uma das melhores amiga, é extremamente homofóbica e preconceituosa, e a outra melhor amiga até entenderia mas ainda tenho medo e pior ainda to apaixonada por ela!!!
Espero que eu me saia bem quando decidir sair do armário pra todo mundo porque viver negando quem você é pode ser e é extremamente difícil...Espero que um dia seja mais fácil ser quem você é sem ter que se preocupar com os outros!!

Saindo do Armário (Autora: Drica)

A questão de "sair do armário" é bem complicada. No meu caso, eu fui arrancada dele. Desde tenra idade já sabia que gostava de meninas. Com meus 14 anos beijei a primeira e daí pra frente não larguei mais a fruta. O problema é que aos 17 anos, minha mãe, desconfiada que uma amizade estava "estranha", decide xeretar no meu armário e voilá! Eis que ela encontra uma carta da minha namorada na época contando tudo aquilo que ela precisava saber.
Resultado: barraco armado, choradeira, parte da família envolvida na sua intimidade, pessoas me chamando de anormal, etc.
Crime: Amar uma pessoa do mesmo sexo que você
Sentença: 6 meses de encarceiramento na solitária (quarto) e sessões na psicóloga até você querer estourar os miolos.
Acredito que a reação adversa aconteça com muitas de nós, já que a maioria das famílias não é nada receptiva. Um conselho para as navegantes de primeira viagem que ainda não aprenderam a nadar quando são jogadas do barco: Não desista nunca!
Apesar de não ter tanta experiência, já passei por muitas coisas na vida. Nessas horas de desespero, conte com o apoio dos amigos e mantenha a cabeça pra cima. As coisas podem não ser do jeito que você sempre sonhou, mas elas vão melhorando ao poucos. É só ter paciência e a cabeça no lugar.

Um grande beijo para todas vocês e muita força e coragem para navegar por esses mares tempestuosos!

16.9.08

Quando aquela "amiga" começa a incomodar (Autora Anônima)


Na verdade eu ainda não saí totalmente do armário. Para amigos e amigas, sim. Família, não.
A situação é complicada, porque não sou nenhuma adolescente, mas me sinto como tal ao esconder da minha família que tenho um relacionamento estável e que logo será um casamento.
De tempos em tempos minha mãe tem uma "amiga" para implicar. E nessas horas me pergunto: porra, será que não custa ela fazer um esforço e assumir logo que sabe de tudo?
Mas daí eu penso, 'será que eu que tenho que fazer esse esforço e não ela?'
Eu gostaria muito de não ter que fazer, é mais cômodo, porém covarde.

Sei que minha vida tem sido assim, desde a primeira namorada, ou melhor, desde a primeira 'amiga' que incomodou. Mentira atrás de mentiras e nenhum namorado para dar uma 'esperança' para ela. A falta de reconhecimento é muito ruim, não poder dividir os acontecimentos do meu relacionamento com a família, não poder contar que estamos noivas, não poder deixar claro que estou feliz com a vida a duas. Mas, pelo andar das coisas, acho que fico no tal armário enquanto ele me couber.